Introdução
Alguns irmãos me procuraram pra tirar uma dúvida sobre uma ideia, muito comum e sendo intencionalmente trazida de volta por alguns neopentecostais, sobre o resgate do filho primogênito.
Diante disso, decidi escrever um pequeno artigo falando sobre isso.
O resgate do primogênito
Antes de mais nada, vamos entender o que a Lei dizia.
A lei do resgate do primogênito, conforme estabelecida no Antigo Testamento, não era uma sugestão, mas uma lei ritualística sagrada. Deus exigia que o primeiro filho homem fosse consagrado a Ele ou resgatado por um preço específico.
O fundamento está em Êxodo 13:2, 13: "Santifica-me todo primogênito, todo o que abrir a madre entre os filhos de Israel, de homens e de animais; meu é. [...] mas todo primogênito de homem entre teus filhos resgatarás." Esse princípio é reforçado em Números 18:15-16, que determina: "Tudo o que abrir a madre de toda carne, que oferecerem ao Senhor, tanto de homens como de animais, será teu; porém os primogênitos dos homens resgatarás infalivelmente".
No entanto, no contexto da graça, sob a Nova Aliança, a necessidade de realizar esse resgate físico ou financeiro deixou de ser obrigatória. Isso não aconteceu porque a lei perdeu o valor, mas porque ela encontrou o seu cumprimento pleno.
E é sobre isso que quero falar aqui.
Por que esse ritual não faz mais sentido hoje?
Para que não restem dúvidas, vamos organizar o pensamento com alguns argumentos:
1. Jesus é o pagamento único e total
No passado, o pai levava moedas ou animais para "comprar de volta" o filho das mãos de Deus. Era um resgate simbólico. Mas Jesus, o Primogênito do Pai, veio e pagou o preço definitivo na cruz. Ele é o Cordeiro. Quando Ele disse "Está consumado" (João 19:30), Ele estava carimbando o seu recibo de quitação.
Voltar a pagar por algo que Jesus já comprou com o próprio sangue não é um gesto de honra; é um insulto ao sacrifício d'Ele. Se a conta foi paga e o protocolo foi encerrado, por que insistir em tentar pagar novamente?
2. A regra foi cumprida, não ignorada
Jesus não veio para rasgar a lei de qualquer jeito, mas para cumprir cada vírgula.
A Bíblia relata em Lucas 2:22-24: "E, cumprindo-se os dias da purificação dela, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor (conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo macho primogênito será consagrado ao Senhor) e para darem a oferta segundo o que está dito na lei do Senhor: Um par de rolas ou dois pombinhos."
Ele mesmo foi apresentado e resgatado conforme a tradição. Jesus fez isso para que não precisássemos mais fazer. Ele foi o substituto perfeito. Ele obedeceu por mim e por você, para que hoje vivamos na liberdade de filhos, e não no medo de devedores.
3. Agora todos somos primeiros filhos
Na Bíblia, a igreja é chamada de "igreja dos primogênitos" (Hebreus 12:23).
Isso significa que, em Cristo, você e seus filhos — sejam eles o primeiro, o segundo ou o décimo — desfrutam do mesmo privilégio e da mesma proteção. Não existe mais uma "categoria especial" de cobertura que dependa de um boleto ou de um ritual de moedas.
O sangue de Jesus nas portas do seu coração é o que garante, de uma vez por todas, a sua herança.
Quebrando as correntes do medo
Essas ideias distorcidas ainda tentam minar o poder do Evangelho na mente de muitos.
Não deixe que ninguém use o medo para controlar a sua fé. Existem pessoas pregando que, se você não fizer uma oferta específica de "resgate", a vida do seu filho mais velho será bloqueada ou amaldiçoada.
Isso é uma mentira vestida de espiritualidade. É uma tentativa de trazer de volta as correntes de um sistema que Deus já trocou.
Deus não é um negociante que fica esperando um pagamento financeiro para não castigar a sua família. Isso não é cristianismo, é superstição.
O sistema de sacerdotes que exigiam moedas para liberar bênçãos acabou. Agora, temos um Sumo Sacerdote, Jesus, que nos deu tudo de graça.
Direcionamento final
A sua paz não vem de um ritual, mas de uma Pessoa.
Descanse no fato de que o seu primogênito, e toda a sua casa, estão guardados por uma aliança muito superior, selada não com moedas de prata, mas com a vida do próprio Deus.
Como diz a Palavra em João 8:36: "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
Caminhe na luz, sem medo de sombras ou maldições inventadas, porque quem foi liberto pelo Filho não deve nada a nenhum outro sistema.

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