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O ambiente que atrai a Jesus



Introdução

Faltavam apenas seis dias para a Páscoa. O cenário era Betânia, a "casa de tâmaras", lugar que na geografia bíblica simboliza prosperidade e restituição.

Jesus, em Sua última semana antes da crucificação, não escolheu o palácio de Herodes ou a suntuosidade do Templo para estar; Ele escolheu a casa de Lázaro. Ali, um ambiente de gratidão era construído através de uma ceia. 

O conflito entre a identidade e o milagre

Naquele recinto, coexistiam Simão, o ex-leproso, e Lázaro, o ressuscitado. Enquanto um era reconhecido pelo que era (sua antiga condição), o outro era conhecido pelo que Jesus fizera (sua nova vida).

A grande provocação que este texto nos impõe é o choque entre a identidade e o milagre.

Muitas vezes, as pessoas se aproximam de nós pelo que Jesus fez em nossas vidas — as bênçãos, as curas, as portas abertas — mas o que as mantém ali deve ser quem nós somos em Cristo.

Se o que você é não condiz com o Evangelho que você prega, sua casa espiritual se torna um lugar de passagem, não de permanência. 

O ambiente que atrai a Jesus

Surge então a dúvida central: por que Jesus, em meio a tantas opções, sentia um prazer recorrente em retornar àquela casa específica?

Quais são as características fundamentais que tornam um ambiente — seja ele físico ou o território da sua alma — um lugar prazeroso para a presença de Deus?

A análise da estrutura de Betânia revela quatro colunas inegociáveis que atraem a presença do Mestre e sustentam a vida cristã autêntica.

Testemunho

Primeiro, a casa possuía Testemunho.

Lázaro é o exemplo máximo de que o melhor argumento é uma vida transformada. Como afirmou John Blanchard: "O objetivo do testemunho não é arrumar discussões, mas sim discípulos". Lázaro não precisou proferir um único discurso; sua existência era o sermão.

Multidões criam em Jesus apenas por olharem para ele. Sua vida confirmava a Palavra. Se você for a única Bíblia que alguém ler, o texto será legível?

Serviço

Segundo, a casa era sustentada pelo Serviço.

Marta, frequentemente incompreendida, compreendia a liturgia da mesa. Ela servia por amor e gratidão, não por vaidade ou busca de status. Como Spurgeon pontuou, o trabalho mais simples para Jesus tem mais valor que a dignidade de um imperador.

O serviço de Marta não era uma carga, mas uma oferta. Existem quatro formas de servir, mas apenas a que nasce do amor e da gratidão gera um ambiente onde Jesus deseja estar.

Relacionamento

Terceiro, a casa era um reduto de Amizade e Intimidade.

Jesus não ia a Betânia para cumprir uma agenda religiosa, mas para se relacionar. A amizade é o elo que transforma o serviço em parceria e o testemunho em herança. É o ambiente onde a vulnerabilidade encontra o acolhimento.

Adoração

Por fim, a casa era saturada de Adoração.

Se Marta servia à mesa, Maria adorava aos pés.

Ela ofereceu o nardo puro, algo que custava caro e que transferia honra. Ao ungir os pés de Jesus com seus cabelos, ela entregou sua própria glória em troca da glória d'Ele. A verdadeira adoração altera o ambiente; ela deixa um cheiro que o tempo não apaga.

Aos pés de Jesus, Maria aprendeu na paz, chorou na crise e agradeceu na vitória.

Conclusão

Seja uma "Betânia". Construa um lugar onde o testemunho é silencioso mas poderoso, onde o serviço é uma honra e a adoração é extravagante. Um adorador pode incomodar os religiosos, mas jamais será esquecido pelo Rei.

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