Pensamento, palavras, ações e princípios
Aquilo que passa pela mente acaba escorrendo para os lábios, e o que sai dos lábios, cedo ou tarde, se materializa em atitudes. Nossos pensamentos ganham voz nas palavras, e as palavras encontram confirmação nas ações. Não por acaso, Stephen Charnock afirmou: “As ações do homem são os melhores indicadores de seus princípios.”
Existe, porém, um paradoxo doloroso entre o que dizemos e o que de fato vivemos. Quando a fala segue por um caminho e a prática por outro, damos a isso um nome antigo e pesado: HIPOCRISIA.
A palavra hipocrisia nasce no grego e carrega o sentido de “ator”, “alguém que representa um papel”, “a arte de atuar”. É a vida vivida como encenação.
No Novo Testamento, a hipocrisia descreve uma conduta humana marcada por religiosidade visível, mas movida por motivações tortas, escondidas e simuladas no interior.
Jesus e a hipocrisia
Um dos pecados mais duramente denunciados por Jesus foi o pecado da hipocrisia. Ele advertiu com clareza: “Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia” (Lucas 12.1). Isso não significa que todo fariseu seja hipócrita, nem que todo hipócrita seja fariseu.
Jesus escolhe o fermento como imagem para que seus ouvintes judeus compreendessem bem o alerta:
O fermento era algo que os judeus tradicionalmente associavam ao mal (Êxodo 12.15-20);
O fermento começa pequeno, discreto, quase imperceptível, mas rapidamente toma toda a massa;
Assim, as palavras de Jesus nos ensinam o seguinte:
A hipocrisia age sobre o ego como o fermento age sobre a massa do pão: faz inchar, cresce sem alarde, espalha-se por tudo, até dominar a vida inteira da pessoa. O orgulho assume o controle, e o caráter apodrece em silêncio. Por isso, dizer uma coisa e viver outra corrói a moral como um câncer escondido.
No fim das contas, a hipocrisia é a habilidade de manter certas “coisas” cuidadosamente encobertas, longe dos olhos alheios.
Mas diante do Senhor, nada permanece oculto. A Escritura afirma que não existe sombra capaz de resistir. O Sol da Justiça incide sobre a vida, ilumina a sinceridade e expõe as farsas, trazendo à luz o que estava escondido e desmascarando o hipócrita.
Há apenas um caminho para evitar — e sair — da hipocrisia: permitir que a luz de Deus brilhe sobre a verdade, enquanto essa mesma luz consome as palhas da falsidade.
“Deus prefere um pecador rude e honesto a alguém que representa um ato de bondade.” (William Barclay)
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